Estância Artigas - Santana do Livramento - RS

 

EQUINOCULTURA


 

 

- RAÇA CRIOULA

        A criação de cavalos crioulos do afixo Restinga, teve início em 1968, com três éguas de pedigree (Pobala, Osmelia e Espingarda) presenteadas por meu saudoso pai José Marcos Leite Magalhães, éguas estas, origens do afixo Chimarrão do Cel. Artur Oscar Loureiro de Souza, tradicional e conceituado criador da época. Estas éguas, fundadoras de nosso trabalho, foram adquiridas no remate da exposição de primavera da Associação Rural de Pelotas ( Gestão Dr. Darci Trilhotero / Dr. Nery Silveira Dias), e sob a batida do martelo de Jarbas Knorr; animais estes selecionados por Emilio Oliveira Mattos.

        No final da década de sessenta e início de setenta, eu, acadêmico de Veterinária, mantinha meus crioulos nos campos do Pavão, então município de Pelotas, na Estância São Joaquim, propriedade de meus avós Judith e Arthur Augusto de Assumpção. Registro minha gratidão aos ensinamentos campeiros do velho capataz Vidal Mendes que acompanhando a família por mais de cinqüenta anos, sempre nos incentivou nesta atividade pastoril, que pensamos estar em nosso sangue. Com o passar dos tempos, fomos aumentando nosso plantel adquirindo ventres das principais origens Rio Grandenses e Platinas; onde se destacaram, entre outras, éguas Cinco Salsos e Invernada (Família Martins/ Brasil - Uruguai), duas gateadas Santander, importadas de Santayana/Uruguai e destaque especial para duas rosilhas rabicanas filhas de Chenque Cardal adquiridas do legendário e saudoso Dr. Luiz Martins Bastos - Uruguaiana.

        Em 1971, nosso criatório transfere-se para a Estância Santo Antônio em Bagé, onde permanece até 1994, quando então radica-se nas Estâncias Artigas e São José em Sant’Ana do Livramento.

 

        Nossa principal ambição foi atingirmos uma uniformidade de selo racial já que nosso início congregou distintas linhagens genéticas e, ao mesmo tempo tentando conciliar um equilíbrio morfológico-funcional, o que graças ao uso de basicamente dois reprodutores da comprovada linhagem do Haras El Cardal do precursor Don Emilio Solanet, que foram Caiboate Jac e Palhaço Jac criação daquele que faz bem pouco tempo nos deixou emponchado com seus conhecimentos e ensinamentos e que sem qualquer dúvida foi nosso grande mestre e que Deus nos deu o dom do convívio nos últimos anos, que foi o senhor João Antônio Borges da Cunha.

        Durante os mais de vinte anos que permanecemos em Bagé tivemos amigos e parentes que muito nos ajudaram , destacando- se entre outros, Antonio Magalhães Rossell, Belizário Sarmento, Manoel e Renato Rossel Sarmento, Mario e Carlos Mario Suñé, Roberto Magalhães Suñé, Fernando Ximenes Sá e João Paes Vieira.Também outros criadores de diferentes municípios como João Alfredo da Silva Tavares (tio Janino) José Manoel Ávila de Azeredo, Carlos Alberto Ávila de Azeredo, Paulino e Agenor Ávila Costa (João Manoel e João Carlos), Fernando Octavio da França Mascarenhas e Januário Dias da Costa.

        Lembramos com saudade os mestres Uruguaios, Eduardo Ibarra, Carlitos Silveira, e do grande amigo Gonzalo Chiarino Milans, que juntamente com o argentino Carlos Roberto Dowdall, formam, sem dúvida os maiores fomentos literários da raça.

        Quando praticamente estamos chegando a um selo racial desejado, acontece a introdução do sangue Chileno nas manadas o que veio trazer um cavalo de muita mobilidade e temperamento altamente sanguíneo, um cavalo mais musculoso principalmente em posteriores, mais perto do chão, o que causou inúmeras discussões entre os criadores da raça até então exclusivamente de origem Platina.

        Antes de aceitarmos o cavalo Chileno, decidimos buscar em um pai de ascendência totalmente Platina, com as características que notávamos agregantes e melhoradoras no choque com o sangue Chileno, como: um cavalo longilíneo, de menor alçada, com temperamento mais explosivo. O animal encontrado foi o gateado rosilho CHARRUA del ESTE, da cabanha San Miguel, de Martirena no Uruguai, um filho do comprovado Mate Amargo Ibérica em Chehuel Perdiz, égua Argentina de excelentes antecedentes e comprovada reprodutora. Com as produções dos pais anteriormente usados e mais as satisfeitas produções de Charrua chegamos a um dos objetivos que sempre almejamos, ou seja, conseguimos uma uniformidade de tipo em nossa cavalhada.

        Trabalharam em nossas manadas além dos reprodutores já citados, os Argentinos Ñy Emplumado e Curru Tue Canário III, ambos grandes campeões de Palermo 87/88 (Companheirismo muito especial dos amigos Luiz Carlos Ferreira Levy - "Lisca" e João Antônio Borges da Cunha), San Justo 405 e Tape Vinagre (filho de Cardal Triunfo, da velha cria de Roberto J. Mailhos-Sta Elena de Guarapiru-Uruguai)

As primeiras éguas de nossa criação a serem cobertas por cavalos Chilenos, foi através de uma deferência muito especial do Dr. Luiz Martins Bastos, que levando para a Estância Nazareth, nos obsequiou com crias de La Invernada Encomendero II e do Freio de Prata, Imigrante da Tradição.

        Conforme o slogan dos Crioulos “Tranças do mesmo tento” nossos mais de quarenta anos de trabalho, o que agradeço a Deus, é continuado por meus filhos, que além do afixo Restinga, hoje pertencendo a José Francisco, agregam se os afixos Jojô* de João Paulo e Artigas de Pedro.

        Em 1998, por importante soma, foi adquirido o primeiro reprodutor de sangue Chileno, BT FARROUPILHA (Alazão, filho de Campero em BT Ubaldina). Em seqüência, no ano 2000, adquirimos um dos mais destacados produtos apresentados no remate BT outonal, que foi BT MAFIOSO ( colorado rabicano, filho de Hornero em BT Erva Mate).

        BT MAFIOSO, foi eleito, após minuciosa revisão na Cabanha Paineiras, onde sempre a hospitalidade de Dona Lila, Maria da Glória e Mariana, muito marcam aqueles que tiveram convivência com o saudoso mestre Dr. Flávio Bastos Tellechea, com quem tivemos a honra do convívio e da aprendizagem. Em nossa modesta opinião, consideramos o Dr. Flávio o maior zootecnista do século XX, pois foi fundamental para o melhoramento das raças Angus, Corriedale e Crioula.

        As produções de BT Farroupilha, que precocemente morreu de leptospirose, nos conformaram plenamente, tanto que o famoso Grande Campeão de Esteio, BT Lamborghine, seu mais destacado filho vem superando todas as expectativas; as filhas de BT Farroupilha que estão na reprodução, não desmentem a boa produção do pai.

        As produções de BT Mafioso, se bem, que em número bem superior,estão nos satisfazendo tanto morfológica como funcionalmente.
Também no ano 2000, adquirimos uma parte minoritária do reprodutor comprovado BT Apache, cuja produção de fêmeas, consideramos excelentes, inclusive as poucas que usamos na reprodução estão proporcionando ótima expectativa.

        Aproveitamos para expressarmos o nosso profundo reconhecimento aos Martins Bastos, que nos possibilitaram o uso indistinto de seus reprodutores nos últimos anos.

        A última incrementação genética da criação, está sendo feita com o Bocal de Prata Ouro 18 do Aceguá, distinguido filho de BT Brazão do Junco em Rapadura do Aceguá, égua esta também mãe de Notaço do Aceguá, este último cedido por uma temporada pelo primo e amigo Carlos Mario Suñé.

        Sem descuidarmos do selo racial, estaremos usando em algumas éguas, “um último presente” de nosso saudoso João Antônio, que é Balconeiro Jac; como também é muito grande nossa expectativa em Quebracho II da Restinga, filho de Índio da Escondida, em Medalha da Restinga, esta filha de BT Apache.

        *Jojô: Além de apelido íntimo, era o afixo na raça crioula de José Marcos Leite Magalhães, que em sua falta foi doado por Hilda Assumpção Magalhães para seu neto João Paulo.
 

IRMÃOS MAGALHÃES:

        Nos dias atuais, os afixos: RESTINGA, JOJÔ e ARTIGAS, pertencem aos meus quatro filhos: Maria Judith, José Francisco, João Paulo e Pedro, que cultivam a RAÇA CRIOULA desde a infância e, desejando, que em seus sangues levem uma história de conteúdo familiar, que é um testemunho da longeva “vocação de criadores’’.

 

 

  

REMATES IRMÃOS MAGALHÃES: A comercialização de cavalos crioulos da família, é realizada anualmente no “REMATE IRMÃOS MAGALHÃES”, cujo próximo pregão estará em sua IV edição.

SCHETLAND PONY

        Quando de meu primeiro aniversário, recebi de meus tios avós Amélia e Luiz Augusto de Assumpção (Estância dos Prazeres- Laranjal- Pelotas), uma peticinha tostada, batizada de “Mutuca”, que foi minha primeira montaria e origem da criação que se estende até os dias atuais.

        Em 1953, meu pai José Marcos Leite Magalhães, compra de Osvaldo Maciel Moreira Osório (Fazenda Liscano), duas pôneis (Porteña e Pacífica) importadas da Argentina, e que são as origens de um plantel que vivenciei em minha infância e que veio a proporcionar as primeiras montarias para meus quatro filhos, sendo que o caçula Pedro (acadêmico de Veterinária -Urcamp- Alegrete RS) é quem mantém nossos registros particulares.

        Estes pequenos eqüinos, tradição em nossos estabelecimentos, já despertam a atenção do neto Joaquim e aguardam os que hão de vir.

          

 



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